História do Município

História de Rio Grande da Serra

Rio Grande da Serra, cidade da região metropolitana de São Paulo, situada à sudeste, integra, ainda, a chamada Região do Grande ABC.

Fazendo divisas com Santo André, Ribeirão Pires e Suzano, possui área de 31 Km2, estando totalmente inserida na Área de Proteção de Mananciais, possuindo topografia bastante irregular e acidentada em função da proximidade com a Serra do Mar. Sua altitude varia de 748 metros (área central) a 978 metros na parte leste, tendo a Represa Billings penetrando em seu território no sentido longitudinal e ocupando cerca de 20% de seu território. Essa represa é abastecida por uma bacia hidrográfica, formada por um conjunto de cursos d'água, constituídos basicamente por córregos e ribeirões, sendo os mais importantes o Rio Grande, o Rio Pequeno, o Rio Araçaúva e outros.

Sua vegetação é predominantemente de floresta e capoeira, com formação básica da Mata Atlântica, à qual e encontra relativamente preservada no Município, em relação à área existente.

Conta, atualmente. com uma população estimada em cerca de 32.000 habitantes, que ocupam cerca de 40% de seu território.

Possui parque fabril singelo, tendo como principais atividades econômicas o
comércio, os serviços e a agricultura, esta basicamente de hortifrutigranjeiros.

FORMAÇÃO HISTÓRICA
Ao aportarem no litoral brasileiro, durante anos os portugueses ouviram maravilhados relatos indígenas sobre a existência de uma montanha de ouro e prata, a chamada "Serra da Prata", governada pelo "Rei Branco".

No verão europeu de 1.532, o Rei de Portugal, D. João III, decidiu aplicar ao Brasil a mesma solução adotada nas colônias africanas, repartindo o território recém descoberto em Capitanias.

Em setembro de 1.531, partira de Cananéia uma expedição chefiada pelo Capitão Pero Lobo, em direção ao território onde presumiam estar localizada a Serra da Prata. Desconfiado de que a expedição fracassara, em 10 de outubro de 1.532, Martim Afonso de Souza, Governador das Partes do Brasil, e futuro donatário da Capitania de São Vicente, subiu a serra até Piratininga e doou duas novas sesmarias em pleno planalto, concedendo-as aos homens nos quais depositava maior confiança: seu lugar-tenente Pero de Góis e o fidalgo Rui Pinto, membro da Ordem de Cristo.

Essa decisão originou-se ante a proibição ordenada por Martin, poucas semanas antes, proibindo seus comandados de se aventurarem pelas trilhas do sertão, atrás da Serra da Prata, lenda indígena de uma montanha de ouro e prata, deixando assim desprotegidas São Vicente e Piratininga.

Posteriormente, a 25 de setembro de 1.536, Martin Afonso de Souza doou a Brás Cubas, seu criado pessoal e um de seus principais colaboradores, uma sesmaria, onde hoje se ergue a cidade de Santos, onde vivia. Essa sesmaria foi-lhe dada em carta de doação por Ana Pimentel (mulher de Martin Afonso de Souza) e incluía as terras de Geribatiba, também conhecidas como Caaguaçu ou Caguassu (atual Rio Grande), no Campo de Piratininga ao Padre Luis de Grãa, em 26 de maio de 1560.

Com o desenvolvimento das vilas de Mogi e de Piratininga, era vital o abastecimento de sal e gêneros vindos através do porto de Santos e São Vicente. As tropas utilizavam varias trilhas e caminhos, especificamente o de
"Zanzala para Mogi", o qual ladeava o rio Grande, no povoado de mesmo nome, por volta de 1.611. O rio Grande era o local preferido pelos tropeiros para parada, visto que além de possuir boa navegabilidade e boas pastagens,
oferecia ainda segurança contra o ataque de animais ferozes, indígenas e salteadores.

Os tropeiros foram de vital importância para a história de Rio Grande e de São Paulo. As viagens empreendidas pelas tropas, tornavam possível o intercâmbio de mercadorias. Em atividade à época de alto risco, empreendiam os tropeiros verdadeiras odisséias para transpor a serra, necessitando a tropa constituir-se de muitos animais.
Com efeito, eram constantes os assaltos de indígenas e salteadores, que produziam baixas consideráveis. Também havia animais ferozes e as doenças que assolavam a região.

Em geral, cada tropa continha de 40 a 80 animais. Esse número enorme de animais era necessário, pois os caminhos que serpenteavam a serra eram de difícil transito, obrigando as tropas a pararem constantemente para que os animais descansassem, embora fossem realizados constantes rodízios da carga pelos animais que a compunham.

De natureza rude, eram os tropeiros pessoas errantes, que em geral possuíam apenas a roupa do corpo e que recebiam paga pela viagem empreendida, paga essa que rapidamente gastavam. Costumavam, então, após percorrerem algumas léguas, pernoitar em pousadas.

Os viajantes, em sua maioria estudantes do Rio ou das províncias marítimas, desacostumados a tão difícil empreitada, e sem prática em andar a cavalo, não suportavam realizar a viagem de Santos a São Paulo de um vez só. Por isso pernoitavam no Alto da Serra, ou na pousada de um alemão, chamada "Zanzalar", ou em outra chamada de "Rio Grande".

Em uma dessas paradas, um dos tropeiros veio a falecer, tendo sido sepultado próximo a um alcantil, tendo sido o local marcado por uma cruz de madeira.

Decidiu-se, posteriormente, em erguer no local uma orada, que mais tarde foi substituída por uma ermida, A"Capela de Santa Cruz", hoje "São Sebastião". Infelizmente, hoje essa capela encontra-se em ruínas.

Em 1.640, foi a Vila de Geribatiba elevada a Vila de Rio Grande.

Em 1865, com o funcionamento da São Paulo Railway CO, a primeira Estrada de Ferro , iniciou-se o processo de decadência das tropas, pois a estrada de ferro tinha condições de escoar mais rapidamente as mercadorias produzidas nas vilas do planalto.

Entrementes, o serviço prestado pela estreada de ferro era de alto custo e muitos preferiam utilizar as tropas para transportar sua produção.

No final do século XVIII e meados do século XIX, os tropeiros foram se fixando na região, ao longo da velha estrada de Mogi a Santos (onde hoje está o Parque América, Rio Pequeno) e através do Caminho Velho para Ribeirão Pires, nas divisas das terras do Bonilha.

Em 1.850, o Conselheiro Manoel Dias de Toledo que obteve a posse de Rio Grande do Alferes Bonilha, mandou construir próxima a estação ferroviária uma pousada a fim de dar abrigo não só aos trabalhadores da estrada de ferro como também aos viajantes que por Rio Grande passavam. Consta ainda que colaborou na construção da primeira Cadeia Pública e na criação de um Correio.

A partir da metade do século XIX, mais precisamente de 1.860, houve grande implemento na Vila com a construção de várias olarias como as de Vicente de Raggo, Rodolfo Fumagali, Agostinho Fernandes Branco, Joaquim Lopes e outros.

Na região central, próximo à Capela de Santa Cruz (atual Igreja de São Sebastião), os tropeiros foram se fixando com casas de mercearia e outras, ou com carros de boi para transporte da lenha e madeira extraídas dos locais de desmatamento, que eram levadas às serrarias existentes próximo a Estação Ferroviária (à época de pau a pique), como as serrarias de Victor Breithaupt, dos Pandolfi e Braciali.

Em 1.870, o Conselheiro Manoel Dias Toledo exigiu a criação na Vila de um correio como também uma cadeira de primeiras letras, para o sexo masculino, que foi instalada pela Lei nº 45, de 29 de março de 1.870.

Em 1.890, o jornal Diário Popular já mencionava a existência de terras boas para moradia ao longo da ferrovia, sugerindo á Companhia São Paulo Railway a criação de trens especiais para o transporte de passageiros, prevendo (o que mais tarde se verificou verdadeiro) que assim a região se desenvolveria tão bem como a Capital.

A matéria surtiu efeito e em 1º de agosto de 1.890, a região passou a ter um trem pela manhã, com retorno à tarde.

Em 1.910, através da Lei nº 55 da Prefeitura de São Bernardo, o Prefeito Tenente Coronel Alfredo Luis Flaquer criou o primeiro cemitério municipal ao lado da Capela de Santa Cruz, onde já existia um campo santo. Referido cemitério foi, posteriormente, transferido para o seu atual local.

As primeiras pousadas já não mais se encontram em solo riograndeserrense pois eram pequenas taperas, construções a base de troncos de arvores e cobertas com folhas de palmeira.

Das primeiras construções em alvenaria tampouco restaram lembranças pois que, embora bem construídas, foram demolidas para a criação da Represa Billings.

As famílias mais antigas, como as Dotta, Castelucci, Orlando e Midoli ainda se recordavam da existência de uma grande casa que albergava a corporação militar e a banda de música que vinham de outras regiões. Lamentavelmente esse patrimônio histórico foi inutilmente destruído pois as áreas onde se encontravam jamais chegaram a ser atingidas pelas águas da represa.

Outro patrimônio que se perdeu no tempo foi um pequeno castelo que ficava próximo à bica do Morro dos Padres, onde residia um senhor solitário, o Conde Siciliano, que deu nome ao atual bairro de Vila Conde Siciliano.

No final do século XIX, chegam as primeiras levas de imigrantes alemães, italianos, holandeses e suíços.

Em 1.922 a Prefeitura de São Paulo adquire a Pedreira Municipal de São Paulo. Assim teve início a implementação de um núcleo residencial no entorno, com o objetivo de abrigar seus trabalhadores. Hoje esse bairro é conhecido como Pedreira.

O transporte dos demais trabalhadores da Pedreira até a estação ferroviária e vice-versa era feito por um bonde puxado por uma mula. Posteriormente passou-se a utilizar um bonde motorizado. Essebonde encontra-se preservado.

Em 1.945, nas cercanias de Rio Grande da Serra, no vizinho município de Santo André é instalada a Industria Química Eletro Cloro que atrairia para a cidade mais moradores.

Por força da lei 8.902, de 28 de fevereiro de 1964, complementando a Lei nº 8.050, de 31 de dezembro de 1.963 era criado o Município de Rio Grande da Serra.